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Por que não criar um filho esportista antes dos 12 anos

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Escrito por Thiago Miranda - Formado em Educação física, tem 10 anos de experiência na educação infantil através do esporte. É empresário, palestrante, coaching, criador do Programa Vida Ativa e co-criador da UNIMP.

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Fala papai, fala mamãe…

Que bom ter você aqui na UNIMP. Isso significa que você está conosco nessa jornada de aprendizagem e desenvolvimento para sermos os melhores pais e mães que podemos ser para nossos filhos. Para mim, é um prazer te acompanhar e contribuir nesse processo.

Neste meu primeiro artigo, trago um assunto controverso…

Você já deve ter escutado muito por aí que “esporte é saúde”, certo? Mas ao contrário do que se diz por aí, e do que a maioria pensa, eu te digo que NÃO… ESPORTE NÃO É SAÚDE!

O esporte propriamente dito, praticado para alto rendimento, lesiona, machuca fisicamente e emocionalmente, seleciona e exclui. Só há espaço para os bons e habilidosos. Não há espaço para os gordinhos, para os descoordenados, e os menos habilidosos.

Eu por exemplo, pratiquei Kung Fu dos 10 aos 13 anos, participando inclusive de campeonatos de lutas. Ao mesmo tempo, joguei futebol de alto rendimento desde os 10 anos, e aos 16 passei por uma cirurgia de joelho que abreviou minha carreira no esporte. Tentei seguir a carreira de futebol até os 19 ou 20 anos, mas desisti devido a sofrer muitas lesões e não suportar mais viver sob fortes dores.

Pergunte à ginasta Daiane dos Santos, ou ao Ronaldo Fenômeno, se depois das várias cirurgias no joelho ainda acham que esporte é saúde!!!

Na verdade, a atividade física é saudável, o esporte de alto rendimento não! Se você incentiva seu filho a praticar um esporte, seja ele qual for, para que ele se relacione com outras crianças, e para que ele se movimente e tenha um futuro saudável, então está no caminho certo!

Por outro lado, se você cobra de seu filho pequeno que ele seja sempre bom, que ele sempre ganhe. Se você o critica quando perde, e não o ensina a tirar aprendizado nas derrotas, então você o está tratando como um adulto em miniatura. Talvez você esteja limitando a oportunidade que seu filho tem de adquirir experiências que o tornarão um cidadão melhor no futuro. Isso acontece com muitos pais que querem imprimir no filho o atleta que não conseguiram ser no passado.

O que você precisa saber é que até os 12 anos, tudo o que seu filho precisa é experimentar o máximo de movimentos possíveis para ampliar seu repertório motor e desenvolver os aspectos cognitivos. Portanto, quanto mais modalidades ele puder praticar sem a cobrança de vencer a todo custo, melhor para ele.

Forçá-lo a se especializar precocemente em uma modalidade específica é privá-lo de uma série de estímulos motores e cognitivos que ele deveria receber quando criança, e é bem possível que ele se canse, ou se lesione muito cedo, a ponto de desistir do esporte antes da hora. Neste caso, para o pai que cobra, o tiro sai pela culatra, e pode gerar até mesmo danos emocionais e de relacionamento dentro da família.

Sendo assim, respeite o desenvolvimento do seu filho, não pule fases. Na hora certa vocês poderão decidir juntos se ele deve seguir carreira em algum esporte que ele goste, porque provavelmente quando este momento chegar, ele já terá desenvolvido na fase ideal as habilidades motoras necessárias para que seja um bom atleta.

Então, incentive seu filho a ser fisicamente ativo. Seja você uma pessoa fisicamente ativa e dê o exemplo a ele. Mas acima de tudo, o acompanhe e lhe dê tranquilidade e liberdade para brincar, se divertir, experimentar e aprender com o esporte.

E você, como tem feito com seu filho? O que você acha, esporte é mesmo saúde? Deixe seu comentário, pode ser de grande valia para outros pais…

Até a próxima…

 

Escrito por Thiago Miranda - Formado em Educação física, tem 10 anos de experiência na educação infantil através do esporte. É empresário, palestrante, coaching, criador do Programa Vida Ativa e co-criador da UNIMP.

 

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A UNIMP é um espaço de compartilhamento de experiências e descoberta de novos caminhos e ferramentas que facilitem o processo de educação e relacionamento entre pais e filhos. Nossa missão é auxiliar os pais a resgatarem sua autoconfiança e a desvendarem um caminho mais tranquilo, seguro e feliz no processo educacional de seus filhos, tornando-os assim, companheiros de jornada e transformando a família em um porto seguro, que lhes dá inspiração para seguir ultrapassando os obstáculos que a vida pode proporcionar e conquistando sonhos.

10 Comments to Por que não criar um filho esportista antes dos 12 anos

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  1. Muito bom o texto.
    Sou prof de tênis e lido com isso diariamente,muitas vezes sou até criticado pelos país por brincar muito com as crianças,mas contínuo firme e minhas aulas São pautadas. Sempre na alegria da criançada.

  2. Sou profissional de Educação Física tbm formado há 10 anos e tenho uma filha de 5 anos e meio, sou dono de uma academia e quando ela está aqui ela faz somente o que quer corre na esteira, brinca, faz aula de Thai, aula de zumba e o que tiver na frente dela, sem cobranças, na verdade a cobrança vem da parte dela em querer fazer tudo isso, e querer que tbm façamos tudo isso… Sou a favor da atividade física para crianças, mas sem cobrança….

  3. Esporte é saúde sim ! Você desde a sua infância teve péssimas experiências o que com certeza te deixou traumas. E tudo que é mal feito ou em excesso é prejudicial. Até beber água em excesso pode fazer mal à saúde.
    Pais irresponsáveis não deveriam fazer com que seus filhos façam esporte competitivo prematuramente e de maneira inadequada, isso sim é insalubre.
    Pergunte ao Ronaldo Fenômeno ou a Daiane dos Santos se eles se arrependem de haver praticado esporte de alto rendimento e haverem ganhado fama e dinheiro se eles não fariam tudo novamente?
    Sou atleta amador e pratico e pratiquei diversas modalidades desde meus 10 anos de idade e hoje tenho 45 anos e tenho minha saúde PERFEITA graças ao esporte.
    Jamais me lesionei !! Pratiquei handebol, basquetebol, futebol, voleibol, corrida, karatê, judô, esquiei e pratiquei muitos outros esportes.
    Hoje sou o atual Campeão Brasileiro e Paranaense de Sprint Triathlon. Conheci o Brasil todo graças ao meu esporte.
    ESPORTE É SAÚDE !!

    • Olá Hugo, tudo bem?
      Seu comentário foi SENSACIONAL e importantíssimo para nos aprofundarmos nessa reflexão junto a outros pais!
      Quero também reconhecer seu desempenho como atleta amador e lhe dar os PARABÉNS por ser Campeão Brasileiro e Estadual de Sprint Triathlon, eu como profissional do esporte sei o quanto é difícil atingir esse nível. Então, mais uma vez PARABÉNS!!!

      Entretanto, vamos continuar refletindo esse assunto, que como eu já adiantava, seria CONTROVERSO… (Isso daria até um novo artigo… rs)
      Em primeiro lugar, o artigo acima não sugere que crianças não devem praticar esporte porque vão se machucar, ou que a prática seja ruim para a saúde da criança. Isso seria um ponto de vista muito simplista, pra não dizer simplório demais, até porque eu não teria argumento para bancar esse tipo de afirmação. Tanto eu, quanto você, poderíamos listar dezenas de benefícios que o esporte traz à vida das pessoas, seja no alto rendimento ou como forma de praticar uma atividade física. Inclusive, o texto sugere que os pais sejam ativos e incentivem seus filhos a serem também! Mas o assunto não é esse, e sim o quanto a ESPECIALIZAÇÃO ESPORTIVA PRECOCE interfere no desenvolvimento biopsicossocial das crianças. Lembre-se, é na infância que se constrói o tipo de adulto que todo indivíduo será no futuro! Portanto, o assunto é mais do que IMPORTANTE, e o objetivo aqui é alertar e incentivar a reflexão dos pais, para que possam aplicar da melhor maneira possível o que julgarem mais adequado para a formação de seus pequenos.

      Também preciso dizer que a minha experiência com o esporte foi EXCELENTE e não tenho trauma algum, caso contrário eu não teria estudo para me tornar um profissional dessa área, certo? Ao contrário do que você imaginou, o futebol, as brincadeiras de correr na rua, e as aulas de educação física me curaram de uma bronquite asmática, em uma época em que os médicos diziam que era uma doença apenas tratável, mas incurável. O que eu tenho é trauma de agulha, de tanta bezentacil que tomei por conta da bronquite, desde recém nascido!!! rsrs… E apesar de ter passado dezenas, talvez centenas de noites exaustivas e desesperadoras, sem ar, internado no hospital tomando inalação, dando trabalho e preocupação aos meus pais, graças a Deus pude praticar atividade física (e esportes) para desenvolver minha capacidade cardiorrespiratória e vencer o problema da bronquite. Minha última crise deve ter ocorrido por volta dos 10 anos de idade.

      Mas voltando ao artigo, é importante que vocês saibam, que o texto publicado não expressa pura e simplesmente um ponto de vista meu, mas sim uma situação muito discutida e estudada há anos na formação acadêmica dos profissionais de educação física e do esporte. Quem mais defende esse ponto de vista são os cientistas da psicologia do esporte. Caso os leitores pais queiram ir mais afundo na reflexão para descobrir quais as implicações psicológicas, negativas e positivas, o esporte pode trazer para o futuro do seu filho, indico que pesquisem pelo Dr. Dietmar Samulski, alemão radicado no Brasil, foi psicólogo do Cruzeiro e um dos maiores pesquisadores dessa área. Outra ótima referência que indico são os trabalhos publicados do Professor Dr. Afonso Antonio Machado, que realiza periodicamente congressos e fóruns de discussão sobre a especialização esportiva precoce. Vocês podem acessar os artigos publicados pelo Laboratório de Estudos e Pesquisas em Psicologia do Esporte coordenado por ele neste link: http://www.lepespe.com.br/index.php?pagina=artigos.

      Também é consenso entre os cientistas da área de desenvolvimento motor, que durante a infância, quanto maior a gama de movimentos experimentados, melhor será o desenvolvimento da criança. O problema não é a prática do esporte lúdico, como meio para atividade física, e sim o esporte propriamente dito que direciona o praticante para um gesto técnico específico e limitando experiências motoras variadas. Isso ocorre obviamente em crianças que são direcionadas precocemente para o alto rendimento de uma modalidade específica. O pediatra e psicanalista inglês Winnicott é uma outra referência mundial, muitíssimo estudada tanto em educação quanto na psicologia, e que sugiro que os pais pesquisem. Ele defende muito a ideia do lúdico na formação da criança, como jogos e brincadeiras, tão saudáveis quanto os esportes.

      Hugo, seria importante que todos os pais entendessem a diferença entre Atividade Física, Exercício Físico, e Esporte, e acredito que seja aqui o ponto mal entendido em que você discordou da afirmação de que ESPORTE NÃO É SAÚDE, talvez por também não compreender bem o conceito. Se algum pai tiver essa dúvida, da diferença entre os três, basta comentar aqui que eu respondo, pois já é um outro assunto.

      Baseado em todas as referências, sustento o ponto de vista de que ESPORTE NÃO É SAÚDE! E abro margem para uma outra discussão sobre o que vem a ser SAÚDE, já que hoje se fala tanto em QUALIDADE DE VIDA. Será que ser saudável é apenas não estar doente? Será que ser saudável é apenas não se lesionar enquanto pratica esporte? Ou será que envolve também questões de saneamento, questões sociais e de relacionamento, desenvolvimento emocional, psicológico, profissional, e financeiro? Como será que os pais estão investindo na saúde de seus filhos?

      Fica a reflexão e gostaria muito de receber mais comentários sobre isso…

      Mais uma vez muitíssimo obrigado pelo sem comentário Hugo!
      Grande abraço…

  4. Wellington Bispo

    Esporte é saúde sim!
    Mas sua matéria foi excelente, abrindo os olhos pra quem tem filhos pequenos como eu e alertando de coisas que são simples que as vezes esquecemos, como variedades de modalidades, etc.

    Parabéns!

  5. Valéria Campos

    Concordo ..tenho 2 filhos. 1 menino de 15 e a menina de 10 anos os dois praticam esportes desde de pequenos nunca contamos nada deles..hj meu filho é um excelente Karateca e a menina excelente dançarina..

  6. Excelente matéria, tenho uma filha de 6 anos que prática 3 tipos de atividades e muitas vezes sou criticada por isso, dizem que a exploro e que ela ñ tem vida e muito menos tempo de brincar!
    Nunca a obriguei a fazer nada, dei a ela a oportunidade de conhecer os esportes e ser livre para escolher se quer ou ñ prática los, mas sempre apitando a responsabilidade COBRO sempre para que dê o seu melhor em tudo que se proponha fazer, incentivo, mas sempre ciente que MEDALHAS, PRIMEIRO LUGAR E SER A MELHORA é consequência e nunca OBRIGAÇÃO

  7. Obrigada UNIMP!
    Esses artigos tem nos ajudado bastante na criação do nosso pequeno! Esse artigo sobre o esporte esclareceu bastante pois pensava diferente! Um abraço a todos!