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Por que é tão difícil lidar com a birra?

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Ultimamente aqui em casa, andamos nos questionando sobre a educação do nosso filho, pois cada um de nós, no papel de mãe e pai, sabemos que fomos criados de formas totalmente diferentes, apesar até de fazermos parte de uma mesma geração. Claro que isso é ótimo para o relacionamento familiar, mas para lidar com as diferenças, temos que conversar bastante e chegar num ponto em comum, para que o principal envolvido, no caso o nosso filho, não seja prejudicado, e para que eu e meu marido, não entremos num duelo de quem tem razão e quem está errado.

E mesmo em situações que causam polêmica aqui em casa, como é o caso das birras, sempre lembramos que quando se fala em filhos tem que prevalecer o amor, para que a família e nossa relação se desenvolva da melhor forma possível.

Nós como pais que somos, muitas vezes nos sentimos frustrados perante situações que deveriam ser consideradas normais e naturais, porém se tornam constrangedoras e marcantes principalmente em lugares públicos.

Por que é tão difícil lidar com a birra?

E quando penso nessa questão, bate aquele conflito sobre “o que de verdade será o certo?”, parece que meu mundo não é igual ao de todos em minha volta, apesar de saber que toda criança faz birra. E às vezes me pergunto se sou só eu que me sinto assim!

Quando converso com outras mães, sinto que só o meu filho anda fazendo birras, e isso na realidade é difícil de conversar fora de casa, pois cada um lida de uma forma, e as dificuldades de falar no assunto, chegam a parecer um tabu em determinadas ocasiões. Porém, ninguém quer admitir de fato que seu filho faz ou já fez birra, pois pode ser rotulado como mal-educado, e nenhum pai ou mãe quer isso. Ou quer? Entretanto, quem nunca passou por isso? Se não passou, vai passar. E no meu caso, eu estou na fase em que “estou passando”.

Sei que a idade é um ponto determinante, pois a birra começa por volta dos 2 anos, momento em que a criança ainda não sabe lidar muito bem com as frustrações, contudo, até pouco tempo atrás, ele era “um bebê” e não “uma criança”, e antes, bastava um choro para que logo fossem satisfeitos os seus desejos como: ser amamentado, segurado e limpado.

Portanto, o choro é de fato uma ferramenta importante para a sobrevivência do bebê, alertando seus pais que algo errado está acontecendo, que não está bom e que precisa ser mudado.

Por ser este momento uma continuidade de uma fase anterior, uma fase até de transição e adaptação para uma nova fase de sua vida, acredito que tudo pode e deve ser tratado naturalmente, mas há situações em que pessoas que nem conhecemos ou pessoas próximas interferem, e sei muito bem como isso pesa. Também sei que é para ajudar, entretanto, no fim acabam prejudicando, pois aí sim a criança sente “o poder” de manipular toda uma situação para o seu próprio querer.

Contudo, sei que muitos podem até me criticar pelo que vou dizer, falam que toda criança precisa de limites, e realmente é preciso, porem só falar não adianta é necessário praticar, por isso, vou atrás dos meus instintos maternos, apesar da minha profissão (de psicóloga) me dar uma visão clara do que é a birra.

E posso dizer que ela, a birra, não vem à toa, há sempre um desejo da criança por fazer algo ou de ter algo. E no caso do meu filho, já sei que é brincar ou “é sair daquela cadeira chata de restaurante que as pessoas ficam aguardando a comida chegar”. E eu consigo entendê-lo, por isso decidi mudar…

Agora esse tempo de árdua espera, é brincando, satisfazendo de certa forma, o desejo do meu pequeno. É muito difícil voltar a fazer o que de fato fui fazer, mas o processo é gradual, e acredito que vamos acertando isso aos poucos, com o tempo e o meu auxílio, ele vai melhorar e vai perceber que além de brincar, é também importante fazer outras coisas.

Com o desenvolvimento e evolução emocional da criança, será natural e perceptível que a mesma reconheça os seus limites e aprenda a lidar com suas frustrações, pois nem sempre será possível fazer o que deseja, e não é anormal sentir frustração, nós adultos também sentimos. Mas enquanto for possível contornar uma situação de ansiedade e angustia, por que não fazê-lo?

Quero terminar esse artigo, com uma pergunta, e desejo que ela faça você refletir sobre aquilo que você sente nessas situações desafiadoras de birra:

Será que pra você é mais frustrante ceder a uma vontade do seu filho e demonstrar às pessoas em volta que quem manda na situação é a criança? Ou será que é mais frustrante pensar que você como mãe/pai está falhando quando cede, e quem deve obediência é a criança, independente da situação? Ou ainda, será que você não está pensando apenas na relação de “poder” que essa situação apresenta e se esquecendo que a criança está apenas “aprendendo a ser”, e quem deve intermediar esse aprendizado é você?

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Fabiana Rezante

Fabiana Rezante Pinho (fabianarezante.psico@yahoo.com.br) – psicóloga desde 2009, mamãe e grande admiradora da maternidade, dos comportamentos e do desenvolvimento infantil.

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2 Comments to Por que é tão difícil lidar com a birra?

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  1. O que mais me preocupa em relação à birra é o fato de que eu tenho que ensinar o meu filho a ouvir o não eeu não posso apenas contornar a situação, pois isso faz parte do aprendizado dele de como funciona a nossa sociedade e que nem sempre as coisas serão da forma e no momento em que ele quer é claro que estamos falando de crianças e não qualquer criança é o nosso filho e devemos agir de forma firme porém esclarecendo o porque de cada coisa e sempre com clareza e carinho.