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Relato de parto

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Olá pessoal!

Depois de 3 meses consegui finalmente terminar meu relato de parto. Demorei um pouco porque a Ana Helena consome um bocado do meu tempo, mas também ( e principalmente) porque eu precisava elaborar essa experiência tão intensa!

Está comprido, mas não dá pra reduzir… E também será uma boa maneira de deixar registrado para contar pra Ana Helena depois.

Se você quiser que publiquemos o seu relato de parto aqui também, mande um e-mail pra marialuiza@unimp.com.br.

Agora sim… O meu relato!!!

 

Mais de 14 horas de trabalho de parto e uma CESÁREA! O MEU RELATO DE PARTO.

 

SOBRE A GRAVIDEZ E A ESCOLHA DO PARTO

Sempre quis ter um parto natural. Bem antes de engravidar, uns dois anos antes talvez, comecei a pesquisar e estudar bastante sobre o parto normal, natural e humanizado. Assisti documentários, li textos e li muitos relatos de partos. E decidi que gostaria muito de ter um parto natural, com o mínimo de intervenções possíveis. Tudo que eu queria era poder viver a experiência de parir, sentindo a perfeição de Deus fluindo pelo meu corpo, e ter a certeza de que meu bebê fosse respeitado desde o primeiro segundo de vida.

Após fazer o meu marido assistir um documentário sobre parto humanizado, e discutir bastante sobre o assunto, consegui convencê-lo de que o melhor seria optar pelo parto humanizado quando chegasse a hora de engravidarmos.

Finalmente depois de dois anos estudando, resolvemos que era hora de engravidarmos. Clique aqui e veja como foi que descobri a gravidez e como contei para o meu marido.

Quando descobri que estava grávida, passei a cuidar melhor da alimentação, e continuei com minha rotina de trabalho normalmente, que na época estava bem intensa, pois além de trabalhar diariamente em uma empresa, eu ainda fazia outros trabalhos após o horário comercial e também durante o fim de semana. Confesso que não pratiquei atividades físicas durante a gestação, mas o tanto que eu andava pra chegar no meu trabalho, me fazia ficar com a consciência tranquila por não estar praticando nenhuma atividade física.

Após o anúncio da minha gravidez aos familiares e amigos, logo tive uma grata surpresa, em que uma amiga muito querida, a Flávia, que é fera nas massagens, yoga, e essas coisas naturais, se ofereceu para ser minha DOULA, e a partir daí comecei a fazer alguns exercícios (apenas uma ou duas vezes por semana) de respiração e yoga que ela passava em cada encontro.

Tive uma gestação bem tranquila, sem nenhuma intercorrência que me fizesse ficar preocupada, ou que fosse indicação de cesárea. Quase não enjoei, não tive azia, quase não tive dores nas costas, pressão normal, nada de diabetes gestacional, e os pés ficaram inchados por apenas 2 semanas aproximadamente (entre a 34° e a 36° semana), mas depois de algumas noites com os pés pra cima e umas boas massagens do maridão, os pés desincharam.

Fiz o meu ensaio gestante quando estava com 34 semanas de gestação, clique aqui para ver as fotos.

 

SOBRE O TRABALHO DE PARTO

Tudo começou na quinta-feira, dia 29/09 no consultório do meu médico para uma consulta de rotina. Gestação ok, 39 semanas e nada de dores!

Como optei por ser atendida pela equipe de plantão do Hospital São Luiz, meu médico pediu para que eu começasse a fazer um acompanhamento na maternidade, de 2 em 2 dias aproximadamente. Aproveitando que já estávamos em São Paulo, e o hospital era perto, saímos do consultório e fomos direto pra maternidade, assim não precisaríamos voltar para Cajamar e depois ir até São Paulo na sexta, no dia seguinte.

Fomos atendidos rapidamente na maternidade, eu e meu marido entramos numa sala pequena de atendimento, a médica foi super simpática e as enfermeiras também. A médica perguntou se eu estava sentindo alguma coisa e eu expliquei que não, que estava ali por indicação do meu médico, pois já havia entrado na 39° semana. Então ela disse que faria o exame de toque e que poderia doer um pouquinho. Um pouquinho… foi o mais dolorido de toda a minha vida. Quando terminou, ela disse que havia saído um pouquinho de sangue, mas que isso era normal (vale ressaltar que durante toda a gravidez, não tive nenhum pouquinho de sangramento até então), disse também que eu estava com 1 dedo de dilatação e que o meu colo estava bem fino. Então ela saiu da sala e a enfermeira me preparou para fazer a cardiotocografia (um exame que mede os batimentos cardíacos do bebê e também as contrações). Minha pressão estava um pouco alta, creio que foi por conta do exame de toque, os batimentos cardíacos da minha bebê estavam ótimos, e estava sem contrações até então. Depois da cardiotocografia a enfermeira voltou a aferir minha pressão, que já estava normal. A médica voltou, e disse que estava tudo bem, mas que logo eu entraria em trabalho de parto, e que se até sábado a noite não acontecesse nada, domingo de manhã era pra voltar para o hospital.

Na sexta, dia 30/09 logo pela manhã, meu tampão saiu… Mesmo assim, como eu não estava sentindo dor nenhuma, eu aproveitei para organizar algumas coisas e comprar itens do enxoval que ainda estavam faltando. Fiquei o dia inteiro pra lá e pra cá, andei bastante, e às vezes sentia uma dor nas costas, que não era muito forte, por isso eu não imaginava que já eram as contrações, porque eu achava que doía mais e que doía a barriga também, mas em mim só doía as costas.

Fui pra cama por volta das 01h00, mas quem disse que eu conseguia dormir… Lembro que até às 03h00 eu dei algumas cochiladas, mas a partir das 03h00 as dores começaram a ficar mais fortes, e eu comecei a gemer, o que fez com que meu marido acordasse. Como na quinta feira eu já estava com um centímetro de dilatação e as dores começaram a aumentar no sábado de madrugada, resolvemos ir para o hospital, pois imaginamos que eu já estaria com uns 5 dedos de dilatação, e eu estava preocupada com a nossa bebê, queria ter certeza que ela estava bem.

Quando estávamos no carro, começamos a marcar as contrações e estavam vindo de 5 em 5 minutos, às vezes em 7 minutos, e outras vezes vinham antes de completar 5 minutos de intervalo. Vinha uma mais forte e uma mais fraca.

Demos entrada na Maternidade São Luiz, às 07h00. Fui atendida por uma médica. Ela fez o exame de toque e para minha surpresa, e desespero, eu ainda estava com um dedo de dilatação. A médica pediu um ultrassom e uma cardiotocografia para ver se estava tudo bem com a Ana Helena. Tudo certo, tudo ok. Ela receitou uma medicação na veia para dor. Fiquei mais ou menos uma hora sentada na poltrona tomando soro com a medicação, que não adiantou absolutamente nada, porque as dores não passaram. Depois que terminou a medicação ela pediu para andarmos um pouco e voltarmos em 1 hora, para ver se havia alguma evolução. Fizemos isso.

Andamos pelo hospital, bem devagar e quando as contrações vinham eu me agarrava no meu marido, com muita força… rsrs. Enquanto estávamos andando, senti um líquido escorrendo pelas minhas pernas, não era muito, mas era o suficiente para escorrer. Coloquei um absorvente, andamos mais um pouco e quando voltamos na sala da médica eu estava com 3 dedos de dilatação. Então ela disse que iria me internar. Não vi a hora, mas creio que isso já era por volta das 10 e pouco da manhã.

Quando a Flávia, minha doula, chegou, eu já estava na sala de pré-parto junto com meu marido, que aliás esteve comigo durante todo o trabalho de parto me apoiando e me dando forças.

Quando fui para a sala de pré-parto o negócio começou a apertar. Com um pouco mais de privacidade, colocamos louvores e ficamos orando e cantando o tempo inteiro. Eu dilatava muito devagar e eu sentia muita dor, praticamente só nas costas.

Para amenizar um pouco a dor, eu agachava, tomava uma ducha, ficava rebolando em cima da bola de pilates, recebia massagem e carinho do meu marido e da Flávia.

O dia passou bem rápido, e eu não conseguia acompanhar o tempo, então não sei ao certo os horários que as coisas foram acontecendo. Mas sei que quando cheguei a 5 dedos de dilatação (creio que isso era por volta das 18h00), eu comecei a pedir anestesia. No meu plano de parto eu havia escrito que não queria receber analgesia, a não ser que eu solicitasse. Lembro bem dessa hora, porque as dores estavam bem fortes, e os intervalos estavam cada vez menores. Parece que doía sem parar e quando vinha a contração doía mais ainda. Eu estava sentada na bola, dentro do banheiro e meu marido estava jogando uma ducha de água em mim. Ele estava atrás de mim, me beijando, orando por mim, dizendo que eu era forte, e que Deus estava comigo. Enquanto isso eu chorava e gemia, às vezes gritava de dor. Depois que tudo acabou, ele disse que por diversas vezes enquanto estava atrás de mim no banheiro, ele virava o rosto e chorava sem eu perceber, para continuar me dando forças ( <3 ). E no final das contas eu consegui aguentar, e quando chegou a 7 dedos de dilatação, as dores diminuíram um pouco e eu até consegui comer alguma coisa.

O trabalho de parto foi bem difícil, como eu disse anteriormente eu dilatei muito devagar, e sentia muita dor, e quando as contrações vinham, eu me agarrava no meu marido, às vezes o abraçava, às vezes me agachava e praticamente me pendurava nele. O Thiago teve que ser muito forte não só fisicamente, mas principalmente psicologicamente para aguentar tanto tempo junto comigo. Sem contar as duas vezes que quase mordi ele… kkkk

O atendimento das enfermeiras e de toda a equipe do hospital foi maravilhoso. Na hora do almoço, eu não conseguia comer comida, então pedi para trazerem frutas, e eles trouxeram. Quando começou a ficar um pouco mais frio, trouxeram um aquecedor para o nosso quarto. As enfermeiras me incentivavam, e eram muito agradáveis comigo. Até sorvete deram para mim e para o meu marido.

Quando cheguei a 9 dedos de dilatação, a enfermeira me levou para a sala de parto. A Ana Helena ainda estava alta, mas com 9 dedos de dilatação, o parto pode acontecer a qualquer momento. E foi aí que eu não aguentei mais, e voltei a pedir a anestesia novamente. Isso já era mais ou menos umas 21h00.

Quando chegamos na sala de parto, eu sentei no banquinho de parto e fiquei ali fazendo força para a Ana Helena descer. Mas quando a enfermeira fazia o exame de toque e me dizia que ela não havia descido, era como uma tortura para mim. Não sabia quanto tempo mais ela ia demorar para descer, e eu já estava há muito tempo em trabalho de parto. Estava cansada e fraca, não conseguia mais fazer força. E apesar de já estar com 10 dedos de dilatação, eu não sentia que meu corpo me pedia para fazer força.

A enfermeira me dizia para tentar me concentrar e fazer força pra ela descer, mas não adiantava…

Uma coisa curiosa que aconteceu durante todo o trabalho de parto, é que durante as contrações, eu sangrava… e quando cheguei à 10 dedos de dilatação eu não sangrava mais. Comecei a ficar preocupada, e dizia “Eu não estou mais sangrando, porque eu não estou sangrando?”. E começou a bater o desespero. Durante todo o trabalho de parto eu pensava comigo “Amanhã não vou mais sentir essa dor, aguenta mais um pouco Malu”, mas vendo que nessa altura do campeonato a Ana Helena ainda não tinha descido, e eu comecei a pensar que talvez ela demorasse muito para descer, e quanto mais eu pensava isso, mais pedia anestesia, mesmo estando com 10 dedos de dilatação.

Nessa ocasião chegaram dois médicos, uma mulher e um homem. Ela fez o exame de toque em mim e disse que tinha um pedaço do meu colo (que já havia rompido) impedindo a descida da Ana Helena. Ela perguntou se eu a autorizava a fazer uma intervenção para tentar tirar do caminho de passagem esse pedaço do colo do útero, assim que viesse uma contração. Eu autorizei. Mas não aguentei. Quando a contração veio e ela tentou fazer a manobra doeu muitooooooo e eu desisti. Então os dois médicos saíram da sala e voltei a ficar apenas com meu marido, minha doula e a enfermeira. Pouco tempo depois o médico voltou e ficou encostado na parede me olhando. Eu perguntei pra ele “Você é que vai me dar anestesia?”. Ele respondeu de braços cruzados “Eu não, eu sou obstetra”. Logo em seguida ele disse: “Você me dá uma chance de tentar mais uma vez? Posso te examinar?”. Eu autorizei e subi novamente na maca para ele fazer o exame de toque. Então ele disse que eu estava respirando errado, que estava tensa de mais, que os ombros estavam tensos e a região do quadril e das coxas também. Lembro bem da voz dele dizendo para mim “Tudo começa na respiração e tudo termina na respiração, me acompanha.” E respirava junto comigo. De qualquer maneira, doía muito e eu insisti na anestesia, nesse momento ele começou a explicar que se eu tomasse a anestesia, ele teria que usar a ocitocina artificial, pois a anestesia diminuía um pouco as contrações e para chegarmos até a fase de expulsão precisávamos de mais contrações. No desespero da dor, eu disse que tudo bem. E realmente estava tudo bem, me senti respeitada a todo momento, pois tudo que eu pedi foi atendido. Então logo o anestesista chegou.

Foi bem difícil ficar na posição correta para tomar a anestesia, tanto o meu marido, como a minha doula tentaram me ajudar a ficar na posição, mas eu não conseguia de jeito nenhum. Até que o obstetra (da respiração) que estava me atendendo me ajudou. Começou a dizer que minha filha precisava da minha respiração, empurrou minha barriga um pouco para dentro e sugeriu que eu encostasse a minha cabeça no ombro dele.

Enfim… muitas picadas na costas e graças a Deus, não estava mais sentindo dores!!!

Fizemos uma cardiotografia para ver como estava o coraçãozinho da Ana Helena. E pronto uma surpresa.

O médico começou a falar diretamente com meu marido agora. Disse: “Pai você está ouvindo o coração do seu bebê?”, o Thiago disse que sim, e ele continuou “…está fraquinho, nesse caso minha conduta médica é indicar uma cesárea”. Nesse momento o Thiago olhou para mim e eu já comecei a chorar. Não havia me preparado para uma cesárea, eu não queria uma cesárea. O Thiago perguntou “Mas isso foi por causa da anestesia?”, ele disse que não “Sua esposa cansou, e sua bebê provavelmente deve ter cansado também”. O Thiago continuou “Até quanto pode chegar (os batimentos)?”, o médico respondeu “Pode chegar a zero… é sério, pode chegar a zero e voltar e ficar tudo bem, e pode chegar a zero e ela não voltar. Se fosse o meu filho, eu optaria por uma cesárea agora, e olha que eu sou bem naturalista. Se você optar por uma cesárea agora, eu garanto a vida do seu bebê e da sua esposa, caso contrário eu não posso me responsabilizar”. “Quanto tempo eu tenho para decidir?” meu marido perguntou. “Agora” o médico respondeu e continuou: “Até porque precisamos arrumar a sala e isso leva um tempo”. Meu marido olhou para mim e eu disse: “Tudo bem, não vamos arriscar”.

 

SOBRE A CESÁREA

Os médicos permitiram que a minha doula ficasse na sala. Então estavam na sala, o anestesista, o médico obstetra e a médica auxiliar, duas enfermeiras, minha doula e meu marido.

Pedi para não prenderem os meus braços, pois o que eu mais tinha medo na cesárea era ficar com meus braços presos, e não conseguir abraçar minha bebê quando ela chegasse.

Tomei mais anestesia, tiraram o soro com ocitocina de mim, tamparam o campo de visão da minha barriga, e pronto. Começou a cirurgia.

Eu não senti nada. Quando tiraram ela de dentro de mim, vi o Thiago com uma cara de assustado, perguntei “O que foi?”, já desesperada pensando que tivesse acontecido alguma coisa, mas ele nem me respondeu. Logo em seguida me entregaram a minha pequena Ana Helena. Toda cabeluda, ainda sujinha. Ela ficou em cima de mim por uns minutos e depois a levaram para limpar, pesar, etc (todos esses procedimentos que eu não queria que acontecesse, mas que eu já nem estava me importando que fossem feitos, só queria minha filha comigo). Enfim, devolveram ela para mim e ela já começou a mamar. A Flávia e a enfermeira que estava no plantão, foram FUNDAMENTAIS NESSA HORA. Elas me ajudaram a posicionar a Ana Helena para ela fazer a pega certinha e conseguir mamar logo na primeira hora após o parto.

Quando terminou, a médica que estava auxiliando o médico foi até mim duas vezes e me parabenizou dizendo emocionada “Parabéns, sua filha é linda, nasceu muito bem, e não fica triste por não ter sido normal, isso não te faz menos mãe”. Chorei o tempo inteiro e aí que eu chorava mais… rsrs

Minha doula, Flávia querida, me parabenizou, disse que a missão dela acabava ali, e foi embora.

Ficamos só eu, meu marido, minha filha mamando e uma enfermeira, arrumando a sala. Ficamos lá por uma hora mais ou menos, e a Ana Helena mamou durante todo esse tempo.

Ela nasceu às 22h58, com 48 cm, 3.045 kg, apgar 9 e 10.

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